QUEM GANHA COM A FUSÃO ITAÚ-UNIBANCO - 10 de novembro de 2008
Por Manuel A. P. Miranda

“Crise é oportunidade.” Provérbio Chinês

A posição do Unibanco como contraparte de algumas empresas exportadoras brasileiras em contratos derivativos cambiais e a falência da seguradora Americana AIG, deflagraram uma onda de rumores sobre a (falta) de saúde financeira deste tradicional banco brasileiro. Nessa situação de instabilidade, de crise de liquidez, alguma coisa precisava ser feita. Para o Unibanco é muito melhor concluir uma fusão com o Itaú do que deixar os rumores no ar. Esta opção é melhor para o mercado financeiro brasileiro porque da uma sensação de mais solidez. O que acontece é que estavam surgindo rumores sobre a situação do Unibanco que eram muito fortes.

Esses rumores são habituais em momentos de crise. Mas como ninguém pode comprovar e atestar fica muito difícil de saber. Porque o próprio rumor pode provocar uma corrida (aos bancos). Então, seja como for, o fato de ter sido feito a fusão, ainda mais com o Itaú, um banco reconhecidamente sólido e com excelente reputação, traz uma garantia de que o sistema pelo menos não está vulnerável. Porque o próprio rumor acaba provocando aquilo que ele prevê. É difícil dizer como foi feito, se com ajuda do governo ou não. Eles alegam que foi uma decisão espontânea. No comunicado conjunto, os dois bancos alegam que há 15 meses eles vinham tratando disso.

A união entre Unibanco e Itaú ganhou uma definição caricata da mais tradicional publicação sobre finanças em todo o mundo. "É como a feijoada brasileira: com ingredientes baratos, é possível fazer um prato saboroso", diz a nota, publicada com algum destaque no site britânico Financial Times.

A fusão foi regada com saudosismo, champanhe e música nupcial. Quanto ao bolo não poderia ter sido melhor a escolha para celebrar o grande casamento. Tanta festa, no entanto, não se traduz em alegria em relação aos correntistas que pagam taxas abusivas para simplesmente manter uma conta aberta. Não bastasse isso, eles vão ter que enfrentar mais filas, péssimo atendimento, altas taxas e falta de concorrência.

Além disso, as empresas que eram clientes de ambos os bancos também serão impactadas negativamente, pois, seus limites de crédito ao serem consolidados no novo banco serão reduzidos.

O Ministro da Fazenda, Guido Mantega, festejou a fusão, segundo ele “ela é importante, pois solidifica os dois bancos. É normal que em um momento de turbulência, de problemas internacionais do setor financeiro, você tenha um movimento de fusões. “São dois bancos tradicionais, dois bancos sólidos, que têm uma atuação importante para a atividade econômica.”

Muitos economistas famosos, analistas de empresas, jornalistas responsáveis pela cobertura das áreas econômicas e de negócios, reguladores, empresários, políticos, em suma todos os formadores de opinião são unânimes ao apoiar a fusão Itaú-Unibanco. A razão dessa unanimidade é muito simples. Ela atende pelo nome de economia de escala. Através do processo de consolidação gera-se e usufrui-se de uma maior procura dos bens e serviços, que geram reduções de custos (economias de escala e curva de experiência). Tudo isso devido ao milagre da produtividade industrial que resulta da redução de custos unitários de produção através do aumento da quantidade produzida.

Os apoiadores do processo de consolidação do sistema financeiro vão mais longe. Eles entendem que para ter sucesso nesta conjuntura de crise financeira mundial, não é suficiente ter competência e expertise para desenvolver os produtos certos para atender as necessidades dos diferentes segmentos de clientes, para implantar as estruturas de vendas e de suporte aos clientes, para avaliar o a saúde financeira da empresa e de seus clientes e para monitorar o risco associado ao negócio. No mercado financeiro é preciso ter bala. Melhor, para estes apoiadores de fusões, no mercado bancário e financeiro é necessário ter tamanho grande, pois, tamanho é documento.

Apesar de o novo gigante ter musculatura para se transformar num financiador mundial para empresas brasileiras. Em nossa opinião, entretanto, os clientes sejam eles indivíduos ou empresas, neste caso como na maioria dos casos conhecidos no mundo dos negócios não se beneficiarão com esses processos de consolidação econômica.

É bom não esquecer que, no Brasil, os tomadores de empréstimos pagam e vão continuar pagando, as mais altas taxas de juros do mundo civilizado. Por exemplo, os chamados empréstimos pessoais chegam a registrar taxas de juros anuais de mais de duzentos por cento. Taxas dessa magnitude não são ratificadoras de um sistema financeiro eficiente. A razão disso é que com a concentração econômica há a redução da concorrência.

 

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