A EFICIÊNCIA DOS GRANDES BANCOS BRASILEIROS E O EMPOÇAMENTO DE LIQUIDEZ - 03 de novembro de 2008
Por Manuel A. P. Miranda

Com a divulgação dos balanços de cinco bancos médios relativos ao terceiro trimestre ficou claro que os problemas da crise internacional já atingiram o nosso solo tropical. A liquidez de todos eles ficou reduzida. As ações do Banco Central ainda não conseguiram desatar o nó das correias de transmissão para a irrigação de novos créditos no mercado interbancário. Isto significa que os grandes bancos privados nacionais continuam “estudando” o que tem nas carteiras de crédito dos bancos pequenos e médios, mas o dinheiro adicional que veio do compulsório continua sendo aplicado em títulos públicos.

Como os grandes bancos brasileiros são hoje comparados aos melhores bancos do mundo em todos os itens relevantes ligados a eficiência e rentabilidade operacionais, então é o caso de perguntar: como explicar a necessidade de tanto estudo para decidir se compra ou não compra as carteiras dos bancos pequenos e médios. Isso cheira mais a ganância do que a cautela bancaria. O empoçamento de liquidez beneficia indevidamente os grandes bancos nacionais. Nestes tempos de crise bancaria mundial “tamanho é documento.” E, isso, está errado. Os bancos médios e pequenos estão sendo julgados não por sua competência operacional e ou expertise financeiro e bancário, mas sim pelo fato de serem médios e pequenos. E, isso, repito, é errado.

Profissionais e estudiosos do mercado financeiro sabem muito bem que a atuação dos bancos pequenos e médios tem sido de fundamental importância para o desenvolvimento de novos produtos e ampliação da concorrência. O crédito consignado que tanto sucesso vem tendo nos últimos anos, foi inteiramente concebido, desenvolvido e implantado pelos bancos pequenos e médios nomeadamente BMG, BMC, agora parte integrante do Grupo Bradesco, Pine, Daycoval, e, Cruzeiro do Sul, só para citar alguns. Quando os jornalistas da Rede Globo falam que o Banco Central esta liberando dinheiro dos depósitos compulsórios para que os grandes bancos nacionais comprem carteiras dos bancos pequenos e médios, eles estão na realidade falando das carteiras de crédito consignado que estão nos balanços desses bancos sejam eles pequenos ou médios.

Apesar de Henrique Meirelles, presidente do BACEN, ter dito no seu depoimento ao Senado Federal entre outras coisas que “a fase aguda da crise financeira mundial começa a se dissipar” e, mais, que “as medidas adotadas pelo governo para dar liquidez às instituições financeiras já permitem aos pequenos bancos respirar.” Há muita coisa a fazer.

Renato Oliva, presidente da Associação Brasileira de Bancos (ABBC), que representa as instituições de pequeno e médio porte aprovou a mais recente medida anunciada ontem, quinta-feira, pela diretoria do Banco Central que altera a remuneração dos compulsórios dos depósitos a prazo. Afirmou ele que esta é “mais uma medida na direção de restabelecer a dinâmica do crédito bancário.” Ele ressalta que “o investimento que será feito pelos bancos não ira interferir na liquidez dessas instituições.” Disse mais que “esses bancos irão capitalizar a liquidez e o sistema vai poder atender a dinâmica do crédito, que estava comprometida.”

O quadro a seguir mostra claramente a extensão dos problemas que os consumidores e os agentes produtivos nacionais irão enfrentar neste fim de ano e que continuarão no ano que vem. Todos os bancos da amostra perderam depósitos. Sendo que as perdas de dois deles foram a porcentagens superiores a dois dígitos.

BANCO

DEPÓSITOS Bilhões

VARIAÇÃO % NO TRIMESTRE

ABC BRASIL

1.8

-9.5

DAYCOVAL

2.0

-10.8

PARANA

0.7

-4.2

PINE

2.1

-8.8

SOFISA

2.5

-17.6

A nossa frente teremos muitas dificuldades. Serão tempos bicudos. Como aqueles que queiram comprar, por exemplo, um carro estão descobrindo quando entram nas lojas de automóveis e não encontram financiamento e quando o encontram este é muito caro. Vale ressaltar que os dados acima são os saldos contábeis em 30 de Setembro de 2008.

É hora dos grandes bancos brasileiros mostrarem sua competência. É hora de eles resolverem o assim chamado “problema de empoçamento de liquidez.” .

 

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